Vulcão Eyjafjallajoekull (Islândia)

A erupção do vulcão Eyjafjallajoekull (pt) (en) a 21 de Março, na Islândia e a dispersão das suas cinzas na Atmosfera para Sul e Oeste da Europa, está a afectar à vários dias o normal funcionamento dos transportes aéreos.

Um pouco de Geologia Geral:
Uma erupção vulcânica faz parte da Geodinâmica Interna da Terra e, consiste numa libertação do magma do interior da câmara magmática, no interior da crosta terrestre, para o seu exterior.
A libertação do magma pode ocorrer de três formas diferentes: líquida (lavas vulcânicas), gasosa ou, como neste caso, sólida (piroclastos). Por sua vez, existem piroclastos de diferentes tipos. Neste caso, foram expelidas cinzas vulcânicas que correspondem a material mais fino, com menos de 2mm.
Agora, relacionando este fenómeno natural com a Tectónica Global, verificamos que a Islândia (a noroeste do Reino Unido) se encontra no limite divergente entre a Placa Norteamericana e a Placa Euroasiática, o que significa que é uma área com mais propensão para o desencadear frequente de fenómenos  sísmicos e vulcânicos. 
Também no interior da Islândia há zonas de Rift, (aberturas que permitem a subida à superficie de material fundido, que em contacto com a superfície se solidifica, devido às temperaturas substancialmente mais baixas). Estas zonas de Rift ou de divergência, resultam da separação das placas tectónicas e estão associadas a actividade vulcânica mais frequente.
Eventualmente, esta erupção poderá ter sido desencadeada pelo movimento de Placa Norteamericana, que também esteve na origem do terramoto no México.

Thorvaldur Thordarson, especialista em vulcanologia na Universidade de Edinburgh, UK refere que "Volcanic activity on Iceland appears to follow a periodicity of around 50 to 80 years. The increase in activity over the past 10 years suggests we might be entering a more active phase with more eruptions. By contrast, the latter half of the 20th century was unusually quiet. Along with increased volcanism, more seismic activity has been recorded around Iceland, including the magnitude-6.1 quake that rocked Reykjavik in May 2008."

Porque é que as nuvens de cinzas afectam a circulação de aviões na Atmosfera?
Uma vez que, estas nuvens de fumo, são muito secas e constituídas por partículas de rocha, cristal e  areia, são indetectáveis pelos radares meteorológicos dos aviões (que apenas detectam a humidade das nuvens) e, circulam  à mesma altitude que os aviões comerciais, ou seja, entre os 20 e os 55 mil pés,  o constituem um grande risco para a circulação da aviação. Pois, caso as cinzas entrem nos motores  originam a sua paragem, tornando o avião num planador e contaminam o ar condicionado, no interior do aparelho.

Através do sistema Modis Rapid Response, da NASA, pode-se ver a nuvem de cinzas na Atmosfera  que está a afectar a circulação aérea. 

Imagem de Satélite das cinzas na Atmosfera do vulcão Eyjafjallajokull, Iceland, 2010/04/18 at 12 :05 UTC. Satellite: Terra - Pixel size: 1km. Fonte: NASA.

Comentários

Escola Aberta disse…
Olha que estamos falando apenas de um dos milhares de vulcões existentes no mundo.sem falar do potencial dos demais gigantes adormecidos.Imaginemos todos os grandes vulcões potencialmente expressivos em atividade ao mesmo tempo por tempo indeterminado! Se preparem para mai uma ERA DO GELO.
Nosso planeta é mesmo surpreendente.Será mais um sinal? cuidado homenídeos (símios)!!! seus atos estão acelerando o fim da sua presença sobre estas placas.
www.sairmais.com disse…
Artigo interessante, mas eu tinha a ideia que a vulcanologia tinha avancado ao ponto de prever com mais precisao as erupções e sua duração. Afinal tamos quase como os tremores de terra.
Lisete Osório disse…
@Escola Aberta - obrigado por passar e comentar. A Natureza é implacável e ultimamente tem-se manifestado bastante um pouco por todo o Planeta.

@Sair Mais - Obrigado pela opinião. É difícil prever, com certeza absoluta, este tipo de fenómenos naturais. No caso da previsão das erupções vulcânicas sei que há alguns indícios que podem levar à sua previsão (microssismos e sismos de baixa magnitude; deformação do terreno junto à zona do vulcão; emissão de gases, nomeadamente dióxido de enxofre, aumento da temperatura das águas. Os animais também são outro indicador, geralmente, quando "pressentem" este tipo de fenómenos costumam migrar para outros locais).
Os vulcanólogos costumam fazer monitorização dos vulcões activos e prever mais ou menos a sua entrada em erupção, mas duração penso que não.

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