Dia Mundial da Saúde e abordagem à Protecção Civil



Hoje dia 7 de Abril, comemora-se em todo o Mundo o Dia Mundial da Saúde, para assinalar a criação da Organização Mundial da Saúde, em 1948.


Todos os anos, é escolhido para debate um tema de interesse para a promoção e protecção da saúde dos cidadãos. Este ano o tema é "Salvar vidas - hospitais seguros em situações de emergência".

O tema parece muito ajustado à situação de emergência (e caos) que se vive em Itália com o recente sismo que provocou inúmeras perdas humanas e prejuizos avultados. Por isso, teço algumas considerações sobre o caso Português, tendo em consideração o que se passou em Itália.

Hoje ao JN Maria da Graça Freitas (Directora-Geral da Saúde) disse que é "fundamental que os Planos de Emergência estejam articulados com os de outras estruturas regionais, nacionais e mesmo internacionais, de forma a rentabilizar recursos e respostas, devendo ser accionados precocemente, de acordo com sinais e indicadores de alerta (se existirem) para assegurar a continuidade da prestação de cuidados com qualidade e segurança".

Ora, o que é lamentável, no caso de Itália, é que o geólogo - Giampaolo Giuliani (Investigador do Laboratório Nacional de Física de Gran Sasso) - fez o alerta, à um mês atrás, de que um forte sismo ia assolar Aquila, tendo por base algumas evidências (concentrações excepcionais de gáz radão e pequenos abalos sísmicos nos últimos 2 meses) e as autoridades negligenciaram tal aviso.




Pedro Nunes (Bastonário da Ordem dos Médicos) refere que são vários (os hospitais em Portugal) que estão localizados em zonas de riscos naturais ou catástrofes e que não têm condições para enfrentar com êxito uma calamidade, natural ou não.


Na mesma linha peremptória o LNEC veio hoje reforçar no Telejornal Nacional que as estruturas dos hospitais não estão preparada para abalos sísmicos.
A minha questão é: se os próprios meios de socorro não reunem condições internas de segurança como poderão prestar auxilio à população num momento de emergência declarada?

O tema escolhido, este ano, para comemorar o Dia Mundial da Saúde e a lamentável situação em Itália deve servir de exemplo para não se continuar a negligenciar as evidências científicas feitas quer por geólogos e geógrafos (que ianda hoje continuam a ter pouca visibilidade na sociedade, apesar do seu preponderante papel na dita cuja!) quer por outros especialistas igualmente importantes para a Ciência.


Por outro lado, é preciso investir igualmente na preparação e divulgação de planos de emergência e de gestão do risco, para que cada um saiba exactamente o que pode e deve fazer em caso de catástrofe. também se torna importante cultivar na população uma cultura de protecção civil e prevenção, facilitadora da acção da Protecção Civil.

Comentários

Angela disse…
muito bem, sim senhora!
É uma pena que ainda hoje em dia com profissionais tão bem preparados aconteçam este tipo de coisas, que poderiam ter sido previstas e tratadas de outra forma muito mais organizada...mas ninguem pensa que lhe vai acontecer nada disto...é sempre aos outros, né?
Parabens pelo blog mais uma vez! Esta cada vez melhor!
Geopoeta Tatiana disse…
Excelente post Lisete :)

Colocas uma questão muito pertinente e que deveria levar a uma reflexão cuidada.
Creio que deveriamos ficar preocupados ao ler as declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos como do LNEC.
Acredito que continuamos a viver numa sociedade que é alheia (de alguma forma) aos riscos e que continua a cometer erros que um dia podem sair demasiado caros.
Continuamos a pensar que apenas vai acontecer aos outros como referia a Angela e muito bem.
O investimento na cultura do risco tem de ser feito para que se consiga aproximar a população das questões de protecção civil e prevenção.

Bj
Lisete disse…
que bom tê-las por cá!
Angela: a questão é quando os "outros" somos "nós"... e o caso muda de figura! lamento que o teu colega tenha sido negligenciado pelo poder politico, mas no fundo é o que acontece na sociedade em geral, em vários sitios, a várias escalas.
cabe-nos continuar a alertar e prevenir e travar esta tendência.

Tatiana:nós enquanto geógrafos podemos ter um papel importante nesta mudança da sociedade, ao trabalharmos no sentido de identificar e prevenir este tipo de situações. continuo a achar que temos de reivindicar pelo nosso lugar (enquanto geógrafos) na sociedade. E isto só se pode conseguir trabalhando com responsabilidade, afinco, ética e dedicação - só assim podemos ser creditados e valorizados.

beijos e serão sempre bem vindas neste pequeno espaço!

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